Resenha: O Vilarejo

Resenha por Brunna Carolinne

Autor: Raphael Montes
Editora: Suma de Letras
Número de páginas: 96

Sete demônios. Sete histórias. Um vilarejo.
A partir da ideia de que cada um dos pecados capitais é causado por um demônio, e que este é supostamente responsável por incitar o mal nas pessoas, surgem as macabras narrativas de moradores dum isolado vilarejo maculado pela neve e pela fome.
O livro reúne sete pequenos contos, interligados entre si, que apresentam o pior do ser humano. Os habitantes do vilarejo têm muitos defeitos e instintos primatas, eu até cheguei a ficar bem chocada com as atitudes de alguns. A obra retrata, de maneira crua e pontual, a degradação dessas pessoas (e do próprio vilarejo em que vivem).
Raphael Montes já é conhecido por criar tramas sinistras, mas, em O Vilarejo, só fiquei abismada com o nível do horror em apenas uns 3 dos 7 contos. Os outros 4 não me causaram nenhum estranhamento ou arregalar de olhos. É fato que, quando fiquei atônita, fiquei bem atônita, só que dá para contar nos dedos de uma mão quantas vezes isso aconteceu.
As pequenas histórias não seguem uma ordem cronológica, mas todas estão entrelaçadas, o que achei muito bacana. Os fatos iam se complementando a cada novo capítulo, por diversas vezes esclarecendo algum detalhe. Ainda assim ficaram uns pontos sem serem explicados, e isso (principalmente em um livro) me incomoda bastante, pois sinto que o autor nem se importou em deixar tudo claro.
É dito na sinopse que o leitor pode escolher em qual ordem deseja ler as histórias, e até acho que isso é possível, desde que "Satan" permaneça em último. Ele fecha o livro com chave de ouro. Possui cada revelação que me deixou de queixo caído por horas. Então é recomendável que ele seja o último a ser lido, para não estragar a surpresa do gran finale sensacional.
O Vilarejo possui alguns deslizes, talvez por causa do formato, que não permitiu um melhor aprofundamento. Entretanto, a linguagem fria, cadenciada e até poética unida aos instantes de puro horror, repulsa e choque conseguem se sobressair, por isso creio que a leitura seja bastante válida. Sem contar que o livro é pequenino, repleto de ilustrações coloridas que dão um toque todo especial.
"O pecado nos mata [...]. Não importa quanto tempo seja preciso. O pecado nos mata."

2 comentários:

  1. Ah, Brunna eu já li o "Dias Perfeitos" e fiquei bastante intrigada com a história. Curti o jeito que o autor escrever. Eu vi "O Vilarejo" quando foi lançado há algumas semanas, mas não procurei ou li a respeito, por exemplo, não sabia que os contos poderiam ser lidos aleatoriamente.

    Descobri nas Etrelinhas

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  2. Não li nada dele até o momento, apenas comecei o vilarejo. Amei as gravuras que eu achei horrendas e maravilhosas o efeito delas é ótimo. E sim, não é um livro de total terror é um suspense gostoso.

    Bjos!

    www.primeiras-impressoes.com

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